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A crise econômica está mais forte no Ceará do que no resto do Brasil

  • Luan César da Costa
  • 15 de jan. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 26 de jan. de 2024

Turismo em crise

Eu vou fazer um ebook (livro digital) com fotos e crônicas de turismo no Ceará retiradas do "Fatos do Ceará" e para um dos 2 maiores hotéis do Ceará que é conhecido por hospedar várias figuras públicas ter publicadas as inúmeras fotos que eu tirei lá, ele teria que pagar patrocínio porque eu não faria propaganda de graça. Olhem atentamente a resposta:

"Atualmente, estamos revisando nossas prioridades e orçamento, e, por isso, não estamos aceitando novos patrocínios. Esta decisão é baseada em nossa análise interna e não reflete a qualidade de sua proposta.

Agradeço a compreensão e espero que possamos considerar oportunidades futuras de colaboração."

Janeiro é o mês em que os hotéis estão com maior ocupação no ano porque a maioria dos turistas nessa época vêm do Sul e do Sudeste - lá é período de férias - e na alta estação um hotel que hospedou uma novela da Rede Globo chamada "Tropicaliente" (1994) que fez sucesso na principal rede de televisão da Rússia - pesquise no Google e hospedou outros programas da mesma rede está passando dificuldades.

Para dar um exemplo de como o problema é específico: o turismo na Paraíba está crescendo nos últimos anos.


Aeroportos em crise

Eu descobri através do Instagram do entrevistado engenheiro cearense formado no ITA que o Aeroporto Internacional de Fortaleza estava sem passageiros e sem nenhum avião estacionado na última noite de sábado. Estamos na alta estação e existem poucos visitantes no Ceará: o povo está sem dinheiro.

Motivos:

  1. o leitor sabe qual é;

  2. como muitos reacionários infelizmente acreditam nessas mentiras de sites de esquerda que dizem que o atual presidente Lula vence eleições no Nordeste porque o nordestino é militante, algumas pessoas do Sul e do Sudeste não andam mais aqui porque pensam que o Nordeste é a versão miserável do Centro Acadêmico duma universidade federal;

3. está se consolidando o Aeroporto de Jericoacoara que é desnecessário porque esta cidadezinha próxima ao Piauí é da região de Sobral;

4. perdeu mais da metade dos assentos disponíveis para venda da empresa Gol, aliás, nessa semana se revelou que esta empresa está em crise;

5. finalmente foi inaugurado um aeroporto para Sobral que ficou com a demanda da região Noroeste do Ceará;

6. perdeu muitos assentos disponíveis para venda na rota de Juazeiro do Norte;

7. o governo do Estado permitiu a redução de voos em julho - mês de férias -;

8. julho teve o pior desempenho desde 2010;

9. o aeroporto local teve o pior desempenho do grupo Fraport no mundo em setembro e outubro;

10. houve boatos dum voo da Gol para Bogotá (Colômbia) que ficaram só no boato;

11. e dentre os 20 maiores aeroportos do Brasil, os que caíram o movimento em 2023 foram Fortaleza, Manaus, Natal e Cuiabá.

A Folha de São Paulo disse na semana passada que o Nordeste estava isolado de voos internacionais, mas Fortaleza ainda tem voos para Lisboa, Paris e Miami e no ano passado o Aeroporto de Natal foi devolvido à Infraero pela antiga concessionária, o que pode fazer a concessionária do aeroporto cearense devolver o aeroporto local à Infraero.

Leia este artigo do engenheiro do ITA publicado pelo jornal "Diário do Nordeste":

Mas outras regiões do Nordeste estão em crescimento: o governador da Paraíba cedeu às pressões do povo paraibano para reduzir o isolamento de um dos estados mais miseráveis e culturais do Brasil e reabriu nas últimas semanas os aeroportos de João Pessoa - que praticamente só tinha voos para Recife - e Campina Grande para atender demanda reprimida e o crescente turismo.

Atualização de 26 de janeiro: segundo o mesmo colunista Igor Pires, Sobral teve o pior desempenho entre os aeroportos comerciais do Nordeste.

Motivos: o povo de Sobral infelizmente não tem dinheiro, o aeroporto é longe da cidade, tem péssimas conexões de voos, não sabem atrair novos voos e tem a concorrência do desnecessário aeroporto de Jericoacoara - uma cidade mais próxima de Sobral do que de Parnaíba.


Fechamento de grandes lojas

No fim do ano passado o Carrefour anunciou o fechamento dos seus hipermercados em Fortaleza, na Bahia e alguns no Rio Grande do Sul. O hipermercado da Bezerra de Menezes vai fechar definitivamente, os hipermercados da Maraponga e da Borges de Melo vão ser Atacadão e o hipermercado da Washington Soares será Sam's Club.

O que isto significa? O povo não tem dinheiro para comprar alguns bons produtos que os hipermercados oferecem e só têm dinheiro para comprar nesses atacados, este Atacadão pelo menos é verdadeiramente barato e trata as pessoas bem ao contrário do Assaí que é caro e trata seus clientes como lixo.

E no começo desse ano foi divulgado que a rede européia de lojas C&A fechou a sua loja do Centro de Fortaleza, mas a companhia continua em expansão pelos shoppings. Este é só um problema pontual da empresa, mas é causado por um outro motivo que o leitor sabe qual é, aliás, ele faz com que as lojas do Centro sejam cada vez mais deficitárias.


Interior cada vez mais depedente do governo

O Interior está dependendo cada vez mais do Bolsa Família e até do programa do governo do Estado Ceará sem Fome que dá quentinhas públicas para gente que depende do Bolsa Família, o resultado é: cada vez mais pessoas estão deixando de trabalhar para se contentarem com o dinheiro irrisório desse programa.

Eu estou dizendo isto porque eu vi estas coisas lá, é um lugar cada vez mais deplorável, tem algumas regiões onde quase tudo dá certo para plantar e elas não se desenvolvem: os móveis e os eletrodomésticos são dos mais baratos e mais ruins. Em algumas regiões que têm grandes supermercados, atacadistas, lojas de móveis e eletrodomésticos e lojas de material de construção o povo não têm dinheiro para comprar alguns produtos de qualidade que eles oferecem e compram o que dá, geralmente camas duras, fogões ruins de usar, produtos ruins, torneiras duras, cotonetes que ferem os ouvidos.

Aliás, infelizmente só existe uma marca de cotonete no Brasil que presta: a própria Cotonetes da Jonhson & Jonhson, marca que eles não podem comprar e eles são reféns dos cotonetes que ferem os ouvidos.

O povo de lá nunca ouviu em Netflix ou outras plataformas de streaming, mesmo nos lugares onde chegou a Internet, o pessoal só confia na Rede Globo e na rádio local. A única dessas plataformas que eles conhecem é o YouTube e as crianças em vez de assistir desenhos animados, assistem besteiras do TikTok e ouvem músicas sexuais ou sobre bebedeira porque elas só têm estas opções. Só estas. Um streaming onde a criança pode ver alguns desenhos animados que prestam com a devida seleção dos pais é privilégio das crianças da cidade, aliás, vá tentar criar uma criança sem ouvir estas coisas no interior: todo mundo saberá e ficará apontando para você porque você "é mau", "mais do que os outros", "metido a rico" etc.

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