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Maduro preso: argumentos prós e contras, ligações com o Brasil, futuro e soluções

  • Luan César da Costa
  • 8 de jan.
  • 9 min de leitura

8 de janeiro

Nicolás Maduro Moros que resolveu usar o sobrenome do meio porque ele soa melhor e faz ele parecer ser um homem mais maduro que os outros foi capturado no último sábado.

Eu fiz em julho de 2023 um texto chamado "A Venezuela quer ser escutada" ("Venezuela quiere ser escuchada" na tradução para castelhano) para o meu site e este texto foi publicado no site venezuelano sobre cidades hispano-americanas Avimont.


Os argumentos da esquerda

O chavismo e o resto da esquerda dizem que a operação foi para "roubar petróleo" segundo as palavras deles, mas a Colômbia (o novo alvo) que é conhecida economicamente pelas exportações de café não tem petróleo e se ele quisesse petróleo, o próximo alvo seria a Arábia Saudita.

Ah, mas a Venezuela é muito rica de recursos naturais! Este é outro argumento da esquerda, se eles quisessem recursos naturais na América Latina, eles fariam uma guerra no maior país da América Latina que também é conhecido por ter muitos recursos naturais que é o... Brasil.

Ah, mas ele usou armas e atacou civis. Demoraram vários dias para o ataque porque haviam negociações entre o governo anglo-americano e o regime venezuelano e as negociações não lograram êxito como dizem na língua castelhana, então se Maduro quisesse paz, haveria um acordo e não haveria a operação que foi usada como o último recurso do governo anglo-americano e se fosse uma operação pacífica, continuariam a reclamar porque os Estados Unidos invadiram outro país numa operação que lembra a operação rápida que capturou e matou Osama bin Laden num esconderijo em 2011.

E sobre democracia, a esquerda brasileira e europeia se diz democrática, mas condenou a operação feita por um país que ainda é democrático contra um regime tirânico.


E se fosse por petróleo, Trump teria justificativa?

Segundo os sites venezuelanos "Cotejo.info" e "Efecto Cocuvo" que são membros da International Fact Checking Network (IFCN); além do monopólio da produção de petróleo pela PDVSA que proibiu a operação de petroleiras concorrentes, a operadora de TV por assinatura CANTV que pertencia à Verizon dos Estados Unidos, a General Motors (fabricante da marca de carros Chevrolet) em 2017 - o que ocasionou a deissão de 2.700 funcionários da fábrica venezuelana no estado de Carabobo, ou seja, a ditadura não é a favor dos trabalhadores. "Ah, mas isto é para ao final haver o socialismo!" Mas 2.700 trabalhadores ficaram desempregados -, em 2018 estatizaram a Kellogg's (fabricante do cereal matinal Sucrilhos do tigre) que processou a Venezuela em 2019 por uso indevido de suas marcas, a fabricante de arroz Cargill em março de 2009 porque a empresa não queria fazer arroz branco para fugir do controle de preços estatal e a multinacional Kimberly Clark. Antes da posse de Hugo Chávez Frías em fevereiro de 1999 só havia 1 processo contra a Venezuela no Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos e em 2019 haviam 47 casos contra este país.

E desde 2015 com a descoberta de petróleo feita pela norte-americana Exxon Mobil (a dona dos postos de gasolina Esso e do lubrificante Mobil) na Guiana Essequibo que representa cerca de 2/3 do atual território da Guiana, a Venezuela voltou a querer um território que era seu até o século XIX e em 2024 a república hispano-americana fez uma lei criando o estado de Guayana Esequibo, proibindo contratos com empresas petrolíferas e interferindo na soberania nacional da Guiana.


Estatizações de empresas de outros países

A ditadura chavista estatizou até a rede atacadista neerlandesa Makro em 2017 porque ela adotava naquela república hispano-americana uma política que ela adotava em todos os países onde atuava que era ter um valor de compras mínimas para pequenos comerciantes, estatizou em 2008 a fábrica de cimentos mexicana Cemex que o ditador Maduro acusou anos depois de fazer parte de uma "máfia cementera" (máfia do cimento), estatizou em janeiro de 2010 a rede de supermercados franco-colombiana Éxito acusando ela de aumentar ilegalmente os preços dos produtos (como se aumentar preços fosse um crime) e de vender alimentos em mau estado e o governo francês expressou sua preocupação porque os supermercados Éxito e Cada pertenciam ao grupo Casino. As empresas estatizadas que eram de norte-americanos, europeus, venezuelanos; enfim, as empresas estatizadas em geral, sofreram diminuição da sua produção e das suas receitas além de desvio de dinheiro por parte do regime chavista.

Todavia o objetivo dos Estados Unidos é varrer a influência do bloco russo-chinês em todo o continente americano e por isto capturou o ditador venezuelano e fez outras ações contra sustentáculos económicos desse bloco na Venezuela e na Colômbia - o que aumentou a ira de um idoso com comportamento de jovem rebelde comunista de uma grande metrópole chamado Gustavo Petro que é o presidente colombiano.


RCTV

O Observatório da Imprensa em 2007 disse que a estatização da RCTV foi justificada porque a principal emissora dessa república apoiou a tentativa de golpe de estado contra o ditador Hugo Chávez Frías - o mesmo argumento da ditadura chavista -, mas na verdade foi um ato de censura porque o canal falava mal do governo. A RCTV estatizada na TV aberta deixou de ter 40% da audiência televisiva para ter uma baixa audiência e em 2010 a nova RCTV que operava apenas na TV a cabo também foi tirada do ar.


E o Brasil?

Metro de Caracas e expansão financiada pelo BNDES

A Venezuela deve até hoje (6 de janeiro de 2026) R$10bi ao Brasil por obras como expansões do metrô de Caracas, usina siderúrgica e estaleiros que começaram em 2001 no governo do presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e continuaram nos mandatos de Lula e Dilma Rouseff, vale lembrar que a Venezuela é governada pelo chavismo desde 1999 tirando um breve periodo no início dos anos 2000 em que houve um golpe de estado frustrado que tirou Hugo Chávez Frías do poder por alguns dias. O site esquerdista "Brasil de Fato" disse depois da posse do presidente brasileiro Lula para um novo mandato em janeiro de 2023 que as práticas de dar crédito a países pobres como a Venezuela servem para dar crédito a países que jamais teriam ajuda internacional sem os empréstimos do BNDES, para equilibrar o superávit comercial brasileiro com a Venezuela e segundo o site deveriam ser reabertos contatos com Venezuela, Cuba e Moçambique encerrados no governo Bolsonaro para pagar dívidas desses países que Lula chamou de "amigos do Brasil" com o banco estatal brasileiro.

Chegaram na última década imigrantes venezuelanos para o Brasil - inclusive eu já vi uns imigrantes vivendo de maneira miserável aqui em Fortaleza, então eles não se importam com pobres. "Ah, mas depois virá o socialismo." Mas eles tiveram que sair do país deles.


Depois

Penso que o governo dos Estados Unidos decidiu por não matar Maduro porque ele é um arquivo vivo e poderia delatar informações valiosas de bastidores sobre o regime venezuelano.

É escancarado que ao declarar um governo provisório dos Estados Unidos na Venezuela, o presidente anglo-americano Donald Trump se inspirou na partição da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial quando os Estados Unidos, a França, a Grã-Bretanha e a União Soviética que lideravam os Aliados que venceram a guerra administraram provisoriamente partes daquele país europeu depois da morte de Hitler e com a queda da ditadura nazista.

Ontem foi retirada a acusação de que Maduro chefiaria um cartel que mandaria drogas para os Estados Unidos, mas isto foi por causa do juiz e não por causa do governo norte-americano como se pode pensar.

Groenlândia: no ano passado antes dele assumir seu mandato para presidente dos Estados Unidos, Trump disse que iria anexar a Groenlândia - Trump no seu 1º mandato disse que ele e o ditador norte-coreano Kin Jong-Un se apaixonaram numa época em que o americano negociou sem sucesso acabar com as armas nucleares do país asiático, então pode-se concluir que Trump é um fanfarrão e na prática ele foi negociar com a Dinamarca que é a dona daquele lugar a retirada dos chineses de lá porque eles estão interessados em recursos naturais para componentes eletrônicos, mas ficar falando que vai anexar o país causa um desgaste totalmente desnecessário com os aliados europeus. Eu desejo que fiquem apenas nas negociações.


Questões frequentes

O que vai acontecer? Talvez guerra - e se houver guerra, a esquerda vai dizer que foi causada por Trump e a direita vai dizer que é para tirar o chavismo do poder - ou talvez Delcy Rodríguez que começou seu mandato sendo belicosa e hoje finge ser moderada consiga negociar eleições livres com os Estados Unidos.

E o que é preferível? Maduro sendo ditador como era até a madrugada de sexta para sábado ou Maduro sendo julgado fora da Venezuela como é desde o último sábado? Considere que só existem estas 2 opções nessa pergunta.


Visão aprofundada

Desde a Revolução Cubana de 1959, os Estados Unidos ganharam um estado-satélite russo próximo ao seu território e surgiram movimentos guerrilheiros anti-Estados Unidos inspirados nessa revolução como os chavistas da Venezuela, os sandinistas da Nicarágua, os Tupanaros da República Oriental do Uruguai, o M-19 e as FARC da Colômbia, a Guerrilha do Araguaia no Brasil, o MIR chileno e outros. Estes movimentos ajudam o continente americano como um todo a ser instável e desde então os Estados Unidos pagam até hoje a instauração da Doutrina Monroe que apoiou a separação - paga com dinheiro de Londres e apoiada pela Inglaterra para enfraquecer os outros grandes impérios europeus da maioria dos territórios do continente americano dos imperios europeus para estarem à sombra do pais norte-americano, inclusive eles foram o primeiro dos principais países do mundo a reconhecer a separação do Brasil de Portugal e não gostava do fato de o Brasil ter permanecido com uma monarquia e os países independentes latino-americanos passam por um repetitivo e desgastante ciclo vicioso que alterna entre democracias e tiranias em repúblicas desunidas enfraquecidas que se sustentam sob narrativas quase incontestáveis de que líderes locais foram "libertadores" este termo inclusive é o nome da copa continental de times de futebol sediada nos estádios sujos, depredados e decadentes que sediam as seleções de futebol geralmente ruins dessas esquecidas repúblicas "libertadas" do Terceiro Mundo.

Para uma república tirânica desunida da América Hispânica como a Venezuela, ter um tempo de democracia é algo bom; mas ela e os outros países hispano-americanos jamais alcançarão seu potencial continuando no ciclo vicioso em que estão hoje: elas têm que estar unidas novamente como territórios espanhóis apesar dos erros da Espanha que graças a Deus acabaram como a escravidão e a Inquisição estatal no século XVII porque se não houver uma nova reincorporação, haverá um novo ditador à moda latino-americana e 2 exemplos de lugares que só tem alguma relevância no mundo porque permaneceram integrados a paises europeus estão na frente da Venezuela: Aruba e Curaçao só são lembrados no turismo internacional apesar dos pesares da colonização neerlandesa que foi bem pior que as colonizações espanholas porque são parte dos Países Baixos e o Suriname que se separou, hoje em dia é um lugar irrelevante.


Curiosidade

Antes de eu encerrar o texto, uma curiosidade: no começo de 2013 eu vi por alguns dias nos antigos Hipermercados Extra em Fortaleza frangos congelados Sadia com uma embalagem branca e mais baratos do que os frangos congelados da Sadia que a gente via no Brasil que já eram amarelos que nem é hoje. Embaixo estava escrito que eram frangos destinados ao abastecimento da Venezuela e que era proibida pelo governo a importação desses frangos porque eles eram exclusivos daquele país.


Bibliografia:

DA COSTA, Luan César. Venezuela quiere ser escuchada por el brasileño Luan Cesar da Costa. Fortaleza, Avimont, 21 de julho de 2023. Disponível em: https://avimont.net/ 2023/07/21/venezuela-quiere-ser-escuchada-por-el-brasileno-luan-cesar-da-costa. Acesso em 6 de jancire de 2026.

PALACIOS RAMSBOTT, Marianela. Las empresas que la revolución se llevó. Venezuela, Cotejo.info, 17 de dezembro de 2019. Disponível em: https://cotejo.info/2019/12/ddv-empresas/. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

PETOVEL, Pablo. Venezuela intervino al mavorista Makro por su estratégia de marketing. Merca 2.0, 21 de novembro de 2017. Disponível em: https://www.merca20.com/venezuela-intervino-al-mayorista-makro-por-su-estrategia-de-marketing/. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

MARTINEZ, Deisy. «¡Exprópiese!»: las estatizaciones más emblemáticas en 20 años de chavismo. Venezuela, Efecto Cocuvo, 3 de abril de 2022. Disponível em: https://cotejo.info/2019/12/ddv-empresas/. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

ALONSO, Juan Francisco. Não aceitaremos anexação do nosso território: a resposta da Guiana à lei aprovada pela Venezuela 'tomando' a região do Essequibo. BBC News Brasil, 4 de abril de 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgxdwe57wlvo. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

GUIMARÃES, Eduardo. Globo e RCTV, tudo a ver. Observatório da Imprensa, 24 de abril de 2007. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/globo-e-rctv-tudo-a-ver/. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

Venezuela retira do ar sete canais de televisão, incluindo RCTV. São Paulo, O Globo, 25 de janeiro de 2010. Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/venezuela-retira-do-ar-sete-canais-de-televisao-incluindo-rctv-3063931. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

MOLITERNO, Danilo. Venezuela segue devendo RS 10 bi ao Brasil e sem previsão de pagamento. CNN Brasil, 6 de janeiro de 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br.economia macroeconomia venezuela-segne-devendo-1-10-bi-go-brasil-e-sem-previsao-de-pagamento/. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

ESTANISLAU, Lucas. O Brasil saiu perdendo ao liberar empréstimos do BNDES para obras na Venezuela? Caracas, Brasil de Fato, 8 de fevereiro de 2023. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/02/08/x-brasil-saiu-perdendo-ao-liberar-emprestimos-do-bndes-para-obras-na-venezuela/. Acesso em 6 de janeiro de 2026.

BICKER, Laura. O futuro da curiosa relação entre Donald Trump e Kim Jong Un. BBC News Brasil, 2 de fevereiro de 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2pr5j8pnko/. Acesso em 7 de janeiro de 2026.

RESENDE, Márcio - RFI. O primeiro país a reconhecer a independência foi também o primeiro a quem declarou guerra. G1, 7 de setembro de 2022. Disponível em: https://gl.globo.com/mundo/noticia/2022/09/07/o-primeiro-pais-a-reconhecer-a-independencia-do-brasil-foi-tambem-o-primeiro-a-quem-declarou-guerra.ghtml. Acesso em 7 de janeiro de 2026.

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