25 anos da pior emissora do mundo
- Luan César da Costa
- 14 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
Em 15 de novembro fazem 25 anos que a antiga Rede Manchete passou a se chamar RedeTV!, a pior emissora de televisão da história começando pelo pior nome que uma emissora poderia ter: rede de televisão.
Para a antiga Manchete se manter no ar, não fizeram um fatiamento do Grupo Bloch, mas sim um fatiamento de partes das 5 emissoras que estavam sob a razão social TV Manchete Ltda.
Alguns trechos da matéria "Dívidas da Manchete estão longe de ser eqüacionadas" publicada pelo jornal "O Estado de São Paulo" em 6 de dezembro de 1999 resume bem o fatiamento:
"Vale lembrar aqui que a venda da Rede Machete foi feita por meio de duas operações. A TV Omega, captaneada por Amilcare Dallevo, recebeu a transferência da concessão, ainda não concluída, os funcionários e dívidas trabalhistas e federais. Uma soma de R$ 200 milhões. No mercado estima-se que chegue a R$ 300 milhões.
Na TV Manchete ficaram os ativos e as dívidas privadas. Saboya acreditou que poderia renegociar as dívidas pertencentes à tevê com descontos de até 70% e quitá-las com a venda dos ativos de comunicação.
A Hesed comprou integralmente os ativos pertencentes à emissora avaliados entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões (equipamentos, torres, instalações em terreno próprio) e uma dívida de R$ 300 milhões.
Pelas contas dos consultores, o ônus estimado da empresa é de R$ 280 milhões, incluindo os investimentos necessários para tocar a rede e as obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias, além dos custos com o programa de demissão incentivada, que ainda não foi posto em prática.
Saboya assumiu as dívidas privadas, dos quais cerca de R$ 3 milhões com pequenos credores e o restante (R$ 297 milhões) com meia dúzia de bancos. O valor de face dessas dívidas, no entanto, é de R$ 200 milhões."
Como estão alguns prédios hoje?
A Editora Escala ficou com a sede da TV Manchete de São Paulo no bairro Casa Verde, a sede do Rio de Janeiro foi vendida e a TV Manchete do Recife há alguns anos atrás saiu da antiga sede em Olinda para outro lugar, deixando o prédio.
O que deveriam fazer?
Os donos das redes de televisão brasileiras não fazem muitas coproduções ou exibem programas de produtoras no horário nobre porque a maioria das produções das produtoras independentes são péssimas, mas isto é necessário para eles terem conteúdo e cortarem seus gastos. No Flow Podcast o ex-diretor da Rede Globo e atual dono da Rede Vanguarda Boni admite que errou ao fazer um modelo de programação sem as produtoras porque o modelo da rede que ele é afiliado é insustentável até para eles próprios, tanto é que tiveram que demitir vários atores excelentes.
Nos Estados Unidos e na Argentina, um país onde o setor audiovisual é excelente, a maior parte das produções televisivas são coproduções ou encomendadas para produtoras exceto os departamentos de jornalismo e esportes. Mas se nem a rede de televisão profissional que é a Globo pensa assim, imagina as outras como a pior emissora do mundo.
As redes de televisão exibem produções cada vez piores e detestam a concorrência da internet porque a audiência se refugia no YouTube ou no Netflix. São refúgios porque é mais fácil depois de um dia de trabalho assistir uma programação linear do que pesquisar o que você quer ver, se alguma emissora apostar em qualidade como a TV Cultura de São Paulo fez em seu auge, como a Globo fez em alguns programas na Era da Televisão, terá uma audiência significativa sem propaganda.
A Rede Record atualmente cresce em audiência em todo o Brasil tirando audiência da atual novela das 21h da Globo "Mania de Você" exibindo uma novela turca chamada "Força de Mulher" que tem como sinopse uma mulher que enfrenta dificuldades para criar os seus filhos, um enredo que as classes populares se identificam.
Programas marcantes dessa época
O "Pânico na TV" apesar de atrair audiência mostrando as "Panicats" seminuas que era uma atitude realmente objetificadora da mulher que era banalizada na época, nessa época tinha seus méritos como as reportagens caçando celebridades que nunca haviam sido vistas no Brasil, um modelo que veio do programa argentino "Caiga quien caiga" (CQC: Caia quem caia) que no Brasil teve uma versão local exibida na Rede Bandeirantes (Band). Tinha um programa independente interessante sobre tecnologia chamado "Olhar Digital", um programa que parecia ser interessante para quem gosta de vinhos chamado "Vinho à mesa" e tinha uma revista eletrônica que parecia ser interessante chamada "Leitura Dinâmica" que era exibido no começo da madrugada.
Bibliografia:
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